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segunda-feira, 22 de abril de 2013

O que resta das Muralhas portuenses?


A muralha Fernandina (ou a parte que resta dela) não será certamente desconhecida aos portuenses uma vez que é possível vê-la a partir da famosa Ponte D. Luís. No entanto, também é possível ver na cidade a muralha que a antecedeu, a Cerca Velha construída pelos romanos.
Acredita-se que a Cerca Velha (Ou Muralha Sueva, ou Muralha Primitiva) tenha sido construída no século IX  e reconstruída no século XII quando a cidade foi doada ao bispo D. Hugo. Esta muralha tinha uns míseros 750 metros de diâmetro, 4 portas e envolvia a Sé do Porto e o Morro de Pena Ventosa.  Hoje é visível na Rua de D. Hugo e no Largo do Colégio, perto da Sé, assim como nas Escadas das Verdades (que, curiosamente, se chamaram Escadas das Mentiras até ao século XIV).

Arco das Verdades que fica nas Escadas das Verdades foto daqui


O trecho da Muralha à esquerda da Sé do Porto
foto daqui

Cerca Velha - foto daqui

Com o crescimento da população o perímetro desta muralha mostrou-se insuficiente e a cidade do Porto expandiu-se para fora dos limites desta importante estrutura defensiva. No século XIV, a crescente importância sócio-económica da Cidade do Porto e a tentativa de invasão castelhana por parte de Afonso IX levou a que, em 1336, D. Afonso IV ordenasse a construção de uma nova Muralha capaz de proteger a população e os terrenos burgueses mais importantes. A muralha só fica pronta em 1370 no reinado de D. Fernando o que explica a designação de Muralha Fernandina. Abrangia uma área respeitável de 44,5 hectares, tinha 18 postigos e 9 metros de altura. Esta muralha ainda é visível perto do tabuleiro superior da Ponte D. Luís, nas Escadas do Caminho Novo e na ribeira portuense (onde se encontra o único postigo sobrevivente).

No cimo da Muralha



Escadas do Caminho Novo e a muralha à direita
foto daqui
Postigo do Carvão na Ribeira
foto daqui

O que muitos de nós não sabem é que é possível visitar a Muralha Fernandina e calcorrear  as suas fundações. Para tal basta seguir as indicações para a Igreja de Santa Clara perto do Elevador dos Guindais e entrar na porta à esquerda da entrada desta mesma igreja. Uma  vez nas muralhas, imaginem todas as histórias que aquelas pedras contariam, se pudessem, e apreciem as vistas para o Rio Douro e para as duas belas cidades que o circundam. Devo avisar-vos, no entanto, que não é possível visitar a muralha durante o fim-de-semana. 

Aquela pequena porta à esquerda de quem está virado para a Igreja de Santa Clara
Foto daqui
Bom passeio!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pistachios à Bulhão Pato


Tenho de admitir, desde que me tornei vegetariana senti saudades de alguns pratos que adorava antes de o ser. Mas, felizmente, sempre encontrei uma solução fácil e igualmente apetitosa que respeita as minhas crenças. Este é o caso do prato tradicional Ameijoas à Bulhão Pato que conforme descobri pode ser facilmente transformado em Pistachios à Bulhão Pato ideal para vegetarianos, vegans e pessoas que queiram poupar algum dinheiro.

Retrato de Bulhão Pato por Bordalo Pinheiro
O prato Ameijoas à Bulhão Pato é um prato tradicional português mais especificamente da Estremadura e deve o seu nome a um poeta, gastrónomo e caçador Raimundo António de Bulhão Pato. Filho de portugueses, nasceu em Bilbau, em 1928, experienciando as dificuldades num país a recuperar de uma grande guerra. Veio para Lisboa, já adolescente. Era adepto do ultrarromantismo e foi inspirado por poetas como Alexandre Herculano, Almeida Garrett e Lord Byron. O seu diletantismo e romantismo exagerado, tão característicos, valeram-lhe uma caricatura por Eça de Queiroz na personagem de Tomás Alencar na obra "Os Maias". 
Acredita-se que o famoso prato de ameijoas foi assim chamado em modo de homenagem por parte de um cozinheiro referenciado nos seus roteiros gastronómicos - João da Mata.

Então, na minha busca por uma versão vegetariana desde prato centenário deparei-me com esta receita no blog Delícias da Anabela. Se aceitarem um conselho molhem pão no molho e deliciem-se. Adoro como a autora deixa as cascas dos pistáchios para imitar melhor a sensação de libertar as ameijoas das suas cascas para as comer. Maravilhoso!



Toda a informação histórica foi retirada daqui: Bulhão Pato. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-02-17].Disponível em www.infopedia.pt/$bulhao-pato e daqui: Bulhão Pato. In iOnline [Em linha]. 2011 [Consult. 2013-02-17]. Disponível em www.ionline.pt/liv/bulhao-pato-centenario-prato-bem-servido

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Um pouco de história - Avenida dos Aliados


Bem no centro do Porto, na Freguesia de Santo Ildefonso, a Avenida dos Aliados não passa nada despercebida. Só os muitos distraídos não dão conta da sua presença já que é quase obrigatório percorrê-la em qualquer passeio pela baixa portuense. O que a maior parte não sabe é que o sítio conhecido por Avenida dos Aliados se divide em três praças com nomes distintos: A Praça do General Humberto Delgado onde se situa a Câmara Municipal, a dita Avenida dos Aliados, ao centro, que engloba a estação de metro e, por fim, a Praça da Liberdade onde se situa o Palácio das Cardosas e que dá o caminho para a Estação de S. Bento.
Destas três a mais antiga é a Praça da Liberdade que adoptou vários nomes desde do século XV, incluindo Praça da Natividade, Sítio das Hortas e Praça de D. Pedro (1). Em 1866 foi inaugurada a estátua de D. Pedro IV que, ainda hoje, simboliza o liberalismo portuense (1).
Postal da Praça D. Pedro com a sua estátua e a antiga Câmara Municipal
Esta praça englobava uma pequena câmara municipal demolida no início do século XX devido à construção da hoje conhecida Avenida dos Aliados. Esta construção teve como objetivo ligar a Praça da Liberdade e a Praça da Trindade e foi inaugurada no ano de 1916 (2). Inicialmente era denominada de Avenida das Nações Aliadas e serve de homenagem aos países Aliados que participaram na 1ª Guerra Mundial (3).
Por fim, em 1917 foi inaugurada a atual Praça do General Humberto Delgado que, inicialmente, se chamava Praça de Sidónio Pais e mais tarde Praça do Município (4). Esta praça engloba, nos dias de hoje, a Câmara Municipal e uma estátua de Almeida Garrett.
Estátua em bronze do escritor João Almeida Garrett
Este complexo de três praças, em pleno século XX, era coberto de jardins e calçada portuguesa sendo, por isso, um deleite aos olhos de portuenses e turistas. No entanto, em 2006, a avenida foi remodelada e estes jardins foram destruídos dando lugar ao granito que hoje caracteriza esta parte da cidade. Esta mudança, arquitetada por Siza Vieira, gerou uma forte polémica (5) e poucos serão os portuenses a não suspirarem de saudade do verde que outrora caracterizou o coração da baixa da sua cidade. 
Em cima: Aliados antigo; Em baixo: Após a remodelação